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A Economia em Bits

O governo eletrônico tem um papel fundamental na nova economia. Os processos digitalizados melhoram notavelmente a eficiência e, sobretudo, permite poupar milhares de milhões aos países.

A atual conjuntura é propícia para o desenvolvimento argentino se levam adiante políticas inteligentes que incentivem a economia digital. O país conta com características que lhe garantem um grande diferencial competitivo: população adulta com nove anos de educação formal, atitude crítica e um desenvolvimento incipiente da cultura da informação

O governo eletrônico tem um papel central nesta nova economia. Por um lado, deveria promover a reengenharia na atribuição de funções, de organismos e na provisão de novos e melhores serviços. Isto seria possível a partir das poupanças internas que muito bem podem ser frutos das tecnologias da informação (TI). Pelo outro, deveria apoiar a seus setores econômicos (sobretudo pymes) a fim de incentivar desenvolvimentos de produtos exportáveis.

Até agora, a poupança governamental não se propôs como melhor distribuição do gasto público. Pensando favorecer esta opção, no Brasil demonstrou que com a substituição do processo tradicional de patentamiento de veículos, no estado de São Paulo se poupam anualmente 443 milhões de reais.

Isto se conseguiu mudando o processamento tradicional pelo eletrônico. E a arrecadação aumentou em 270 % (sem aumentar as alíquotas), devido à transparência nas operações. O investimento foi de R$1,5 milhões e se pagou em alguns dias de uso do sistema.

Outro exemplo de poupança no Brasil são os sistemas de compras eletrônicas. Em São Paulo se chegou à conclusão de que o gasto do processo tradicional para compras inferiores a 80.000 reais é de R$1.074 contra R$188 do eletrônico. Calculando o valor médio das compras, podemos sustentar que por cada real que compra, o Estado gasta R$0,79 no processo (papel, empregados, telefone, área física). Na forma eletrônica gasta R$0,21 pelo mesmo real de compra.

Se todas as compras de materiais se fizessem por esta via, o Estado economizaria 1,5 bilhões por ano. Ademais, quando se implementa um sistema eletrônico de compras se elimina grande parte da corrupção, já que se fixam preços máximos que impedem compras a valores fora do mercado. Neste caso, o investimento foi de R$3,6 milhões.

A Argentina não fez ainda suas explorações com respeito à poupança interna. Seria uma excelente iniciativa tomando experiências líderes como as referidas a impostos. Quiçá seus resultados terminem por convencer aos dirigentes políticos de que, ainda existindo um importante investimento inicial (passível de ser resolvida com subsídios não reembolsáveis), a poupança que devastes ferramentas geram é muito importante

Uma poupança que não é só para o governo senão também para a população, já que permite realizar trâmites sem recorrer aos escritórios públicos. Isto é fundamental para as pymes, sem estrutura para enfrentar trâmites embaraçosos como os derivados das exportações.

A Argentina também está lançando-se pelo caminho da nova economia e são variados os pólos tecnológicos postos em marcha. Excelentes empreendimentos para compartilhar experiências e avançar na construção com resultados não só para as balanças comerciais senão também em benefício de nossas populações em sua inserção regional

(*) Ester Kaufman coordena o Projeto FLACSO de Governo Eletrônico e Florença Ferrer trabalha sobre o tema no Brasil.

Quarta-feira 12 de maio de 2004.

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